Literatura Estrangei...
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Autor(es): Umberto Eco
Editora: Editora Record
Assunto: Literatura Estrangeira
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Ficha técnica
Edição Digital:
Editora: Editora Record
eISBN-13: 9788501098399
Edição: 2ª Edição
Idioma: Português
Número de páginas: 480
Formato: EPUB
Impressão permitida: não
Cópia permitida: não
O cemitério de Praga
O cemitério de Praga. Quatrocentos mil exemplares vendidos na Itália em um mês. Um tratado sobre o mecanismo do ódio, e espécie de síntese da história do preconceito, o livro causou desconforto em setores mais conservadores da sociedade italiana, principalmente entre religiosos, por misturar personagens históricos a um anti-herói fictício, cínico e maquiavélico, capaz de tudo para conseguir se vingar de padres, jesuítas, comunistas, mas, principalmente, dos judeus. Repleto de teorias da conspiração, falsificações, assuntos maçônicos e detalhes da unificação italiana, é no antisemitismo que repousa o coração da narrativa. O cemitério de Praga também lembra um dos mais impressionantes episódios de falsificação da história: Os protocolos dos sábios de Sião, um texto forjado pela polícia secreta do Czar Nicolau II para justificar a perseguição aos judeus. Os escritos, que se acredita terem sido baseados em um texto francês — Diálogos no inferno entre Maquiável e Montesquieu — descreviam um suposto plano para a dominação mundial pelos isra...
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Nada é o que parece, e todos sabem que até países aparentemente democráticos são de fato governados não por seus representantes eleitos, mas pelos verdadeiros donos do poder, que manipulam as finanças e a opinião pública por meio dos bancos e dos meios de comunicação. Trata-se de uma casta secreta e todo-poderosa que se reúne periodicamente para submeter a maioria e decidir os rumos do planeta. Essa é uma visão de mundo que, difundida à esquerda e à direita, não nasceu do nada. Tem origem e genealogia. Os suspeitos de integrar a casta em questão podem ser os membros de uma classe social, de um ou vários ramos profissionais (banqueiros e donos de jornal são hoje os favoritos), de um grupo nacional, regional, étnico, religioso. No último século e meio, ninguém foi tão insistentemente acusado quanto os judeus. E a peça-chave dessa acusação é um livrinho produzido pela polícia secreta da Rússia czarista e publicado no início do século XX: Os Protocolos dos Sábios de Sião, texto composto das supostas minutas de uma reunião na qual líderes judeus de toda parte traçam um plano comum de dominação global. O local dessa reunião é o cemitério judeu da capital checa, Praga, que dá título ao novo romance do italiano Umberto Eco, de 79 anos. A gestação dos Protocolos constitui o fio narrativo central de O Cemitério de Praga. Eco faz questão de declarar que a maioria dos personagens e fatos com que trabalha são reais. Sua principal criação ficcional é o protagonista, um falsário natural de Turim chamado Simone Simonini, cujos diários autobiográficos, datados de 1897, recontam sua vida, desde a infância marcada por um pai revolucionário empenhado na unificação italiana até a velhice de gourmet na França. O personagem passa por eventos históricos como a Comuna de Paris e convive com personalidades como Sigmund Freud e o escritor Alexandre Dumas. A capacidade de forjar documentos de todo tipo o aproxima dos serviços secretos de diversas nações europeias, bem como de militantes e conspiradores variados - os quais ele alternadamente auxiliará e trairá. E a tudo isso subjaz sua mentalidade paranoica e delirante, em parte herdada de um avô que via na Revolução Francesa a mão de conspiradores demoníacos, e em outra parte derivada de sua leitura apaixonada de autores românticos como Eugène Sue e o próprio Dumas. Foi Sue que, ao imaginar em um de seus folhetins uma reunião conspiratória de jesuítas, criou o cenário que seria adaptado para outros objetivos pelo escritor Maurice Joly num livro que atacava Napoleão III - e o livro de Joly, por seu turno, serviria de base para a redação dos Protocolos. A farsa foi exposta pelo jornal inglês The Times já em 1921, quando Protocolos se espalhava epidemicamente pela Europa e pelos Estados Unidos (com o apoio ativo do industrial Henry Ford), servindo inclusive ao emergente movimento nazista. No entanto, para os que querem acreditar numa conspiração judaica internacional, nenhuma prova racional bastaria para invalidar os Protocolos. O livro é hoje um best-seller em países islâmicos, e a carta de fundação do grupo terrorista Hamas o cita como fonte cuja autoridade só é menor que a do Corão. O Cemitério de Praga não se limita, claro, apenas à gênese dos Protocolos, tampouco é um tratado ou uma tese. É, antes, um romance criativo e habilmente estruturado, no qual Eco combina sua paixão antiga pelos folhetins românticos com a capacidade (refinada desde O Nome da Rosa) de escrever de acordo com estilos de outros tempos. E essa habilidade serve, afinal, para ressuscitar uma realidade histórica que, em nada alheia à nossa, contribui para desmascarar uma perigosa e destrutiva visão de mundo.
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