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Ficha técnica

Edição Digital:
Editora: L&PM Editores
eISBN-13: 9788525409515
Idioma: Português
Número de páginas: 208
Tradutor: Eugênio Vinci De Moraes
Formato: EPUB
Impressão permitida: não
Cópia permitida: não

A Arte da Guerra

Partindo da idéia de que um povo e uma cidade livres são um povo e uma cidade armados, Maquiavel (1469-1527) concebeu um dos mais importantes tratados sobre estratégia militar. Escrito entre 1519 e 1520, A arte da guerra forma, juntamente com O príncipe (1513) e Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio (1513-1521), a base do pensamento político do principal filósofo da Renascença. Antes de Maquiavel, eram praticamente inexistentes convenções de guerra hoje elementares, como organização dos exércitos, hierarquia e código militares. A arte da guerra apresentou, entre outros, o conceito de formação de tropas e conferiu à disciplina importância fundamental para o êxito do combate. Maquiavel desenvolveu esse pensamento radicalmente inovador e criou uma meticulosa obra na qual, a partir do isolamento do fenômeno do poder e da sua relação intrínseca com o uso da força – até mesmo da violência –, são criados os meios para a conquista, a manutenção e a preservação do poder político. Publicada há cerca de 500 anos, esta obra já conqui...

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Duas artes. Muitas guerras 12/09/2011
Aventuras na História - 02/2007

Separados por 2 mil anos. Unidos pelo mesmo tema. O político italiano Nicolau Maquiavel e o general chinês Sun Tzu (ou Sunzi se você prefere usar o sistema pinyin de romanização da escrita chinesa, que troca os símbolos por letras do alfabeto latino). Maquiavel ficou mais famoso por outra de suas obras, O Príncipe, que fez com que seu nome inspirasse termos como “maquiavelismo”, que tanto pode significar um modo amoral de se fazer política (“os fins justificam os meios”) como, mais popularmente, um sujeito desprovido de boa fé. Sunzi parece ter tido destino melhor: no século 21 virou guru de empresários e executivos modernosos. E o conjunto de meros 6 mil caracteres organizados em 13 capítulos conhecidos desde a dinastia Zhou, no século 6 a.C., com o nome de Sunzi Bingfa (em tradução literal, “Método militar de Sunzi”, que ganhou recentemente uma versão nova no Brasil pela Conrad com o nome A Arte da Guerra), virou um manual prático para ter sucesso nos negócios, vencer concorrências, tratar de subordinados, derrubar seu chefe, trocar de carro, cortar o cabelo... tudo! Sunzi nasceu por volta de 540 a.C. em uma família de mandarins do estado Qi. Por volta de 517 a.C., abandonou os parentes, por causa de disputas internas entre os clãs, e rumou para o sul, fixando-se no estado Wu, governado por He Lu, jovem príncipe que havia usurpado o trono três anos antes. Sunzi apresentou ao rei seus 13 preceitos sobre a arte da guerra (que começam assim: “A guerra é um importante assunto de Estado, território da morte e da vida, caminho da sobrevivência e da extinção, não pode deixar de ser investigada”). Deve ter sido a experiência e a disciplina militares vivenciadas na juventude em Qi que fizeram com que He Lu lhe entregasse o comando militar do reino. Cargo que continuou ocupando mais tarde, nas campanhas militares do sucessor de He Lu, o príncipe Fu Chai. O estado guerreiro que construiu, no entanto, durou apenas 40 anos, quando as tropas Wu foram derrotadas, em 476 a.C., pelas hordas do estado Yue. Longe dali... A obra literária de Maquiavel revela que sua preocupação com a arte militar ultrapassa sua experiência prática. Desde muito cedo, antes de se tornar um pensador político, o Exército e suas relações com a política já eram objetos de inquirição. Em um texto de 1504, ele alerta para a necessidade de os italianos estabelecerem uma milícia própria a fim de evitar invasões estrangeiras: “O caminho será fácil e curto se vocês reabrirem o templo de Marte”. A evocação ao deus romano da guerra não era poesia. Para Maquiavel, o passado glorioso de Roma era uma inspiração. Mas seu discurso não visava uma volta ao passado. Pelo contrário. Se Roma era o modelo, a “sua” Florença e a Itália fragmentada eram as metas a atingir e transformar. Textos como esses ecoavam na cabeça dos figurões de Florença nos primeiros anos do século 16. A poderosa cidade lutava para reconquistar Pisa mas, segundo o costume da época, não contava com um exército próprio. Funcionava assim: desde o século 13, na Itália a defesa das cidades e as campanhas militares ficavam sob os cuidados de um condottiero (ou condottiere), isto é, um comandante de tropas que, mediante pagamento, colocava-se a serviço de um Estado – a condotta era o contrato militar para o levantamento de tropas. No entanto, o modelo vinha de fracassos estrondosos. Em 1499, soldados que tentavam retomar Pisa para os florentinos se rebelaram contra o condottiero e se bandearam para o lado inimigo. Desonra que deixou os governantes florentinos propensos a aceitar uma idéia meio maluca que já circulava há algum tempo pela cabeça do segundo-secretário (adivinha quem? O próprio). Em janeiro de 1506, o Conselho de Florença deu carta branca para Maquiavel alistar soldados pelo vale do Mugello e do Casentino, e, em 15 de fevereiro, dia de Carnaval, ele e sua turma chegaram a Piazza dei Signori, onde foram recebidos em festa. A primeira missão dada ao exército maquiavélico foi retomar Pisa, o que, de fato, aconteceu em 1509. Dezessete anos depois, a defesa de Florença ficou nas mãos de Maquiavel durante a Liga Cognac, no combate a Carlos V, de Milão. Após o tratado de paz, ele escreveu A Arte da Guerra. Manual chinês "Há rotas que não se deve trilhar, há exércitos contra os quais não se deve combater, há cidadelas que não se deve atacar, há territórios que não se devem disputar, há ordens imperiais que não se devem catar!"

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