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Resenha: O grande Gatsby

Por admin_iba / 09 de June de 2013 / Marcado como Destaque Resenhas e , , ,

Por Muller Nascimento

“Então, cobre-te de ouro se isso a comover;
Se puderes saltar bem alto, salta também por ela,
Até que ela grite:
‘Amado coberto de ouro, amado glorioso,
Tens que ser meu! ’”

 - Thomas Parke D’Invilliers,
pseudônimo de F. Scott Fitzgerald em seu primeiro romance, Deste lado do paraíso,1920.

Em meados de 1922, Jay Gatsby, milionário e ex-oficial da marinha, conhecido por organizar festas apoteóticas e agitadas em sua mansão em Long Island, faz uma revelação ao vizinho Nick Carraway, um jovem de classe média que, por mais estranho que seja, não ostenta riquezas e mora na única casa humilde de seu bairro. O segredo: ele está apaixonado por Daisy Buchanan, prima de segundo grau de Nick, casada com um cara mega-arrogante, Tom Buchanan. Como isso não bastasse, todos, eu disse TODOS (tá, nem todos) guardam muitos segredos que vêm à tona ao decorrer da história.

O grande Gatsby, publicado originalmente em 1925, é o terceiro e mais famoso livro de F. Scott Fitzgerald, e compõe a lista de das 100 melhores obras literárias de todos os tempos.  Esta obra, uma das mais representativas do romance norte-americano, descreve a vida da alta sociedade, ambientada em Nova York e no litoral de Long Island, durante o verão de 1922, através de uma aguda reflexão crítica pós-guerra.

Nunca fui muito ligado em clássicos e confesso que não me empolguei no inicio da leitura, mas essa barreira (eu chamo de preconceito) foi quebrando com o passar das páginas.  O grande Gatsby não se trata apenas de festas e riquezas, mas sim, do que o ser humano é capaz de fazer para reconquistar um amor perdido. Jay (intimidade é uma coisa, não?) é o meu mais novo herói de todos os tempos. Certeza. Ele não tinha nada e de repente tinha tudo em função de um único objetivo. Um gênio.

Se a personalidade é uma série de gestos bem sucedidos, havia algo de grandioso nele, uma brilhante sensibilidade às promessas da vida, como se ele fosse parente de uma dessas máquinas intrincadas que registram terremotos a dezesseis mil quilômetros de distância. Essa receptividade não tinha nada a ver com aquela débil impressionabilidade dignificada sob o nome de “temperamento criativo” – era um dom extraordinário para a esperança, uma prontidão romântica que jamais encontrei em outra pessoa e que provavelmente jamais encontrarei.

Aos pouco você descobre (ou não) a origem de sua riqueza, mas de que isso importa, não é mesmo? Isso aqui é sobre amor verdadeiro, gente (não estou dizendo para você sair roubando por aí afim de conquistar um(a) mulher/homem. Isso é feio)!
Amor. Estranho amor. Amor estranho. Acho que nos dias de hoje Gatsby seria o cara mais zoado da rua dele. Gastar fortunas e mais fortunas em festas, cheias de mulheres bonitas e solteiras da alta sociedade e não pegar nenhuma. Viver em função de um amor é legal, quando esse sentimento é reciproco. Daisy nem valia tanto a pena assim (ele descobre isso da pior maneira possível).
Falando em Daisy… Tá aí uma mulher à frente de sua época. Ela namorou com um, casou com outro, mas quando reencontrou o primeiro, reviveu uma paixão esquecida, mas no final ela… Não vou contar o final, mas foi chocante. Não imaginaria que ela seria capaz de fazer o que fez. Na minha mera opinião, usando o linguajar da época, ela foi uma meretriz muito saliente. Usou tudo e todos, inclusive Nick.

Ele trilhara um longo caminho até chegar àquele relvado azul e seus sonhos devem ter parecido tão próximos que ele não poderia deixar de alcançá-los. Não sabia que eles já haviam ficado para trás, em algum lugar da vasta obscuridade que se expandia para além da cidade, onde os campos escuros da república se estendiam sob a noite.

Ah, o Nick. Nick era um cara bacana (ponto). Identifiquei-me várias vezes com as suas reflexões, mas principalmente com esta:

Tinha uma visão parcial do gramado de meu vizinho e a consoladora proximidade dos milionários – tudo por 80 dólares mensais.

Se você gosta de um bom drama com histórias ricas em detalhes, recomendo muito O grande Gatsby. A leitura é rápida e fácil de compreender, mesmo sendo tão antiga. Aliás, recomendo que faça isso antes de assistir ao filme (dizem por aí que o livro é sempre melhor… Dizem por aí).

Personagens principais:

- Nick Carraway: O romance é narrado por Nick, membro de uma família próspera do interior dos Estados Unidos, os Carraway. Nick acabara de retornar da “atrasada migração teutônica conhecida como Grande Guerra” e, incentivado por seus parentes, se muda para estudar e vender títulos no leste.

 Neil Hamilton, na adaptação de 1926

Neil Hamilton, o Nick de 1926

Depois de alguns contratempos e um “convite” inesperado (“você sabe chegar à West Egg?”), ele então segue para a pequena cidade, mas mal sabe que sua vida pacata mudaria completamente, pois quem lhe fizera este convite era nada mais nada menos que o cara que dá nome a este livro (olha, o autor não deixa isso claro).

Nick se torna um espectador que não participa propriamente do que acontece, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.

- Jay Gatsby: Gatsby  é um homem rico e misterioso. Seus vizinhos não sabem de onde veio, mas frequentam suas festas glamourosas (A maioria nem é convidado oficial do anfitrião). Muitos boatos rolam sobre ele: traficante, contrabandista, estelionatário, enganador… Mas ninguém conhece realmente seu passado.

Robert Redford, o Gatsby de 1974

Robert Redford, o Gatsby de 1974

Cinco anos antes de se transformar em o Garoto Diversão da Praia Grande, Jay Gatsby era um oficial da marinha com poucas referências familiares e sem algum dinheiro no bolso que se apaixonou por uma bela jovem rica de Lousville. Eles tiveram um romance rápido, mas intenso e apaixonado. Após a guerra, Jay retorna da França com apenas um objetivo: encontrar novamente seu amor tomá-la como esposa, queira sua família ou não.

Gatsby era um jovem ambicioso e determinado, por isso, em pouco tempo, ele juntou muita riqueza e (sem maiores informações dadas pelo autor) descobre onde sua amada está.  Mesmo sabendo que ela está casada, vai ao encontro dela, e de maneira nada sucinta, promove grandes festas de arromba na esperança de que um dia ela apareça.

Betty Field, a Daisy de 1949

Mia Farrow, a Daisy de 1974

- Daisy Buchanan: Daisy é a Gabriela, cravo e canela da literatura estrangeira: todos os homens a querem. Assim como praticamente todas as mulheres dos anos 20, se casou por impulso e vive uma vidinha deprimente a sombra do marido almofadinha. É ingênua e sonhadora, mas, ao contrário do que pensei no inicio do livro, não aceita ser traída.

Joel Edgerton o Tom de 2013,

Joel Edgerton o Tom de 2013,

- Tom Buchanan: Tom é um jovem rico colecionador de cavalos. Dá mais importância aos seu prazeres e se esquece completamente de sua mulher. Assim como Gatsby, ele esconde grandes segredos que desencadeiam acontecimentos alucinantes.

Elizabeth Debicki, a Jordan de 2013

Elizabeth Debicki, a Jordan de 2013

- Jordan Baker: sabe aquela amiga mala de sua namorada/mulher que nunca sai de sua casa e fica de vela em todos os momentos? Então, Jordan é assim.

Seu papel na história é secundário, mas seu personagem é intrigante. Ela é uma grande esportista conhecida mundialmente que se envolve como nosso narrador, Nick. Jordan é frequentadora constante das festas de Gatsby e uma conhecida pessoal. No decorrer da história ela se mostra uma pessoa fria, calculista e desonesta.  #MEDO

 

O autor:

Francis Scott Key Fitzgerald, nascido em 24 de setembro de 1896, em Saint Paul, Minnesota, foi um escritor norte-americano e um dos grandes nomes da literatura do século XX, autor de numerosos romances, contos, coleções de contos, ensaios e de uma peça teatral.

Começou sua carreira literária em 1920, e em 1922, publicou uma série de contos reunidos na coletânea Contos da era do Jazz, entre eles O curioso caso de Benjamin Button. Em 1934, publicou Suave é a noite, romance pungente que o autor considerava sua melhor obra.

Em 21 de dezembro de 1940, aos 44 anos, Fitzgerald sofreu um ataque fulminante do coração. Ele deixou inacabado seu último romance, que foi recolhido e organizado por Edmund Wilson com o título O último Magnata.

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